Situação em Portugal
Author: Costa
Os portugueses estão pessimistas. Não só acreditam que os casos de pobreza têm vindo a aumentar como mais de metade da população entende que o cenário vai agravar-se nos próximos cinco anos. A maioria (73 por cento) acha que os pobres são pessoas com poucas ou nenhumas possibilidades de sair da situação em que estão. E que mesmo os filhos destes dificilmente endireitarão a sua vida.O Governo é a entidade a quem são atribuídas mais culpas pela existência de pessoas em situação de carência e exclusão. E o alcoolismo e a toxicodependência aparecem à cabeça dos factores apontados como maiores produtores de pobreza. Segue-se a crise económica.Estas são apenas algumas das imagens dos portugueses sobre a situação do país no que diz respeito à pobreza e suas causas. Os resultados de uma sondagem do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica para a Rede Europeia Anti-Probreza são apresentados e debatidos hoje, no Porto, durante um encontro nacional da Rede Europeia que tem como mote "Erradicar a Pobreza e a Exclusão Social: um desafio de todos com todos e para todos”.As respostas começam por mostrar claramente que na hora de estimar quantos pobres existirão em Portugal, o cidadão comum traça um cenário ainda mais negro do que o que é revelado pelas estatísticas oficiais.Os indicadores divulgados pelo Eurostat (departamento de estatísticas da União Europeia) apontam para a existência no país de cerca de dois milhões de pessoas (20 por cento da população) a viver abaixo do limiar de pobreza.Quase metade dos inquiridos (48,4 por cento) no âmbito desta sondagem concentram-se em três respostas: os que dizem que pelo menos 40 por cento da população é pobre (15,1); os que acham que metade da população é pobre (15,1) e os que calculam que mais de 50 por cento dos portugueses está nessa situação (22,7 por cento).Curioso é verificar aqui, como noutras respostas, que uma fatia significativa (49 por cento) dos inquiridos afirma que na zona da sua residência ou trabalho a realidade é menos negra, com menos pobres do que no resto do país. Ainda assim, um grande número (42,3 por cento) dos portugueses diz que, mesmo na zona onde vivem, as situações de pobreza aumentaram nos últimos cinco anos. Um pouco menos (38,5) entendem que o cenário a que assistem quotidianamente é mais ou menos idêntico. E 15,3 por cento que a situação melhorou.Já a avaliação do que se passou no país como um todo, em cinco anos, é bastante negativa: quase sete em cada dez (68,8 por cento) inquiridos afirmam que os casos de pobreza aumentaram. O que é coerente com a resposta a outra pergunta que os desafiava a fazer um "balanço global" da situação desde 1999: 57 por cento disseram que se degradou, 28,8 que está na mesma, 10,6 que melhorou.

