Reduzir pobreza a metade até 2015
Author: Costa
Mais de mil milhões de pessoas sobrevivem, no Mundo, com um rendimento inferior a um dólar (cerca de 76 cêntimos) por dia. Outros 2700 milhões lutam pela sobrevivência com menos de dois dólares por dia. Em alguns países extremamente pobres menos de metade das crianças tem acesso à escola primária e menos de 20% acedem ao ensino secundário. No Mundo inteiro, existem 114 milhões de crianças a quem está vedado o ensino básico e há 584 milhões de mulheres que são analfabetas.
"As consequências desta pobreza extrema - que são as principais causas dos conflitos violentos, da guerra civil e do fracasso dos governos - transcendem largamente as sociedades por ela directamente atingidas", lê-se no Relatório do Projecto do Milénio da ONU ("Investir no Desenvolvimento - Um Plano Prático para atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio"), que foi apresentado, ontem, ao Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan.
O Projecto do Milénio das ONU é um organismo consultivo independente a quem o secretário-Geral das Nações Unidas encarregou, em 2002, de elaborar um plano de acção concreto para que o Mundo erradique a pobreza extrema, a fome e a doença que afectam um sexto da população mundial (ler "Recomendações" ao lado).
Com base neste trabalho, Kofi Annan deverá apresentar aos membros da ONU, no próximo mês de Março, um relatório contendo as suas recomendações, antes da reunião do G8, em Julho, que precederá a cimeira mundial agendada para Setembro, em Nova Iorque, que irá assinalar o 60.º aniversário das Nações Unidas.
Para os mais de mil milhões de pessoas que vivem em condições de extrema pobreza, os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) representam uma questão de vida ou de morte. Segundo o relatório, a pobreza extrema pode definir-se como "pobreza que mata", uma vez que priva as pessoas dos recursos essenciais para enfrentarem a fome, a doença e os riscos ambientais. Nas regiões onde domina esta forma de pobreza, a esperança média de vida é metade daquela de que usufruem os habitantes do chamado Mundo desenvolvido - 40 anos em vez de 80.
Na Cimeira do Milénio das Nações Unidas, realizada em Setembro de 2000, 189 dirigentes mundiais aprovaram, por unanimidade, a Declaração do Milénio, que levou à formulação de oito objectivos concretos, entre 1990 e 2015. E que são os seguintes reduzir para metade a pobreza extrema e a fome; alcançar o ensino primário universal; promover a igualdade entre homens e mulheres; reduzir em dois terços a mortalidade infantil; reduzir em três quartos a mortalidade materna; controlar e começar a reduzir a propagação da sida/VIH, a malária e outras doenças graves; garantir a sustentabilidade do meio ambiente; criar uma parceria mundial para o desenvolvimento .
"Reduzir a metade a pobreza extrema até 2015 tornou-se muito difícil, devido ao tempo precioso que perdemos nos primeiros dez anos", declarou ontem Mark Malloch Brown, administrador do Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD) e novo chefe de gabinete de Kofi Annan.

